quinta-feira, 13 de março de 2025

Você já venceu na vida?

Maria é uma mulher de sucesso! Se formou em medicina, ganha um salário inicial de 15 mil reais e já está comprando seu primeiro imóvel. O carro? ela já tinha! Ganhou dos pais quando passou na faculdade.

Venceu na vida, zerou o game, ta com a vida ganha. Ahh, como a grama do vizinho é sempre tão verde, radiante e bem cuidada.

O que ninguém sabe é dos bastidores da Maria, e às vezes  nem a própria, pois ainda não teve tempo o suficiente ou estafa o bastante para perceber e começar a se questionar sobre se de fato se sente realizada. Somos cercados por tantos mitos e ideais que questioná-los por vezes parece ser um sinal de que há algum problema com nós mesmos. 

-Tinha tudo pra ser feliz. _Essa frase, quantas vezes já a escutei? perdi as contas. Por que está tudo tão relacionado a um caminho aparentemente único de ser bem sucedido? A definição de sucesso veio até nós pré-fabricada, por moldes de uma geração que, me atrevo a dizer, pela dificuldade e por vezes escassez de recursos se apegou a um ideal do que é o caminho inquestionavelmente correto. Mas e quando passamos anos de uma vida única perseguindo ideais alheios até que percebemos que abrimos mão de tempo, energia, paz e saúde? 

É aí que entra minha teoria do sítio. Todos ou a maioria (especialmente os mais afetados por esse modelo de vida tóxico) em algum momento vai ter o único desejo de ir morar em um sítio. Afastado de tudo e todos, sem as diversas formas de sobrecarregar um ser humano e simplesmente viver uma vida simples. Mas não sem antes ''chegar lá'', a maioria pelo menos.

A produtividade tóxica é muitas vezes o caminho que precisamos percorrer pra conquistar algo e sermos considerados alguém, embora muitas vezes passemos anos sem que sequer vejamos o que está sendo produzido e, inclusive, nem ser nosso. Normalizamos a ansiedade! Quando alguém vem falar que está se sentindo assim eu fico apenas: "Quero uma novidade". Não sabemos do que gostamos, não nos conhecemos, não temos hobbies ou tempo para isso. Devemos estar constantemente ocupados e produzindo algo para não nos sentirmos inúteis, pois o ideal é ter uma rotina produtiva. Mesmo que o que estejamos produzindo não tenha nada a ver com o lugar onde queremos chegar.

É a produtividade pela produtividade. O ''Sucesso'' por si próprio.

Maria estava esgotada. Seus guarda-roupas estavam cheios, assim como sua agenda. Já nem tinha com o que gastar, mas sentia que seu tempo estava sendo gasto bem depressa diante de seus olhos, sem sequer aproveitá-lo verdadeiramente. Ela fazia 1 viagem pro exterior por ano, claramente venceu na vida, pelo que dizem. Seus perfumes eram importados, assim como o Tesla em sua garagem. Não sabia o que era cozinhar. Experimentou o melhor da gastronomia do centro de São Paulo. Mas estava esgotada. Após anos exercendo a profissão se deu conta que o amor não é tudo, quando não vem associado à uma forma de vida sustentável. Que aqueles sonhos não eram dela, e que não gosta do caos. Preferia uma rede, se atreveu a falar em voz alta.

-Procura-se um sítio. Antes que nem isso possamos ter mais.

#UmaHeliofóbica


quarta-feira, 5 de março de 2025

Felicidade, pra você?

 Eu era só uma estudante de ensino médio quando escutei uma das perguntas mais inusitadas:

-Você é feliz?

Eu não sei o que eu transparecia ou se ele era só um garoto super reflexivo. Mas eu acreditava que estava tudo bem segundo meus parâmetros da época: Eu me considerava e era considerada uma menina bonita, meus cabelos eram extremamente longos e bem-cuidados, e eu era popular kkkk. Não julguem meu eu do passado, é um pouco sem sentido esperar grandes aspirações para uma pessoa que passou por muito bullying e pensou que a vida estaria totalmente resolvida quando chegasse nesse patamar.

Sabe, pensando agora talvez a felicidade seja, antes de tudo, questão de perspectiva e percepção de que existem ciclos em nossas vidas que definem o quão nos sentimos bem naquele momento. O homem é um ser de desejos incansáveis, e não preciso dizer o quão isso pode ser perigoso para nossa plena satisfação e consequente felicidade.

Quantas perguntas difíceis que, até hoje sei lá se tenho uma resposta. Não digo nem A Resposta, mas Uma Resposta ou mais precisamente A minha visão da coisa. O que é o amor? O que é a felicidade? Qual o sentido da vida? 

Vez ou outra me pegava maquinando sobre isso quando era jovem, mas a verdade é que isso começou desde minha infância. Hoje isso propositalmente diminuiu bastante, pensar demais nos distancia da felicidade e pode gerar ansiedade_penso eu. Mas o que não gera hoje em dia?

Acho que felicidade é fluxo. Como um rio, que precisa correr e correr, a felicidade é tão dinâmica quanto nossa vida e as etapas que vivenciamos. Penso que ser feliz ou estar feliz diz respeito a estarmos alinhados com aquilo que faz sentido para nós em determinada etapa de nossa vida. Como pra a Adriann do ensino médio a felicidade era ser desejada e elogiada, a Adriann de hoje se sente feliz quando nota que sua liberdade e paz estão sendo respeitados. A gente naturalmente amadurece, ou ao menos deveríamos rsrs. Meios pra isso a vida nos dá.


A vida é longa o bastante para vivermos muitas fases diferentes e nos redescobrirmos constantemente. Compreendermos nossa posição em tal momento e aprendermos mais à medida que nos expomos são essenciais. Há 10 anos (socorro, o tempo voa kkk) me fazia feliz um estoque de produtos para cabelos, hidratantes e perfumes. Hoje já percebo as coisas materiais como potenciais algemas, então cuido muito com o que e quanto eu tenho em coisas. Eu comecei a me exercitar muito nova e meu corpo era meu orgulho. Hoje me orgulho da forma como uso a academia como meio de cuidar de minha saúde mental e de quebra mantenho meu corpo, que não é de panicat (alerta, ficando velha mesmo kkkk), mas que faz eu me sentir plenamente satisfeita.

E como é engraçado pensar em se sentir plenamente satisfeita, porque se tornou quase uma utopia. Sabe, a linha de chegada que parece que nunca chegará. Sempre desejando mais, correndo atrás de mais. Calma, não estou me culpando o suficiente. Não estou fazendo o bastante. Tudo tão normalizado. Quando paro e penso que sou bem resolvida em certas coisas, coisas essas que sou plenamente satisfeita, coisas essas que eu não mudaria uma vírgula, cara, que orgulho. Isso é a felicidade.

E os armários mais vazios, o corpo com menos adereços, as roupas que mais parecem fardinhas de tanto que repito (porque amo, vale ressaltar) foram me mostrando gradativamente que não preciso de tanto como o capitalismo (antes que me condenem. to longe de ser contra. Dos meus sonhos desde a infância ainda é ser rica. Mas não sou cega pra algumas coisas), a mídia e a indústria tentam nos fazer acreditar constantemente. Consuma, consuma consuma. E sua vida vai sendo consumida rapidamente. Seu tempo, energia e discernimento. 



O que é felicidade pra você? Às vezes nem sabe né?! Mas também não é como se houvesse uma definição fixa e imutável, como eu disse no começo. 

-Tinha tudo e mor***_é o que mais ouvimos dos outros em casos drásticos de depress** e coisas do tipo. Mas pergunto, tudo pra quem? Tudo de acordo com qual perspectiva? De acordo com quais valores?ideologias? realidades? histórico? Generalizamos né...

Acho ainda que existem várias definições e atributos que fazem uma pessoa feliz: É a capacidade de aceitação (que muito me falta, mas que aos poucos tenho aprendido). Não é conformismo ou comodidade, mas é aceitar o que não se tem controle de tudo e fazer o melhor com isso;  a habilidade de dar risada mesmo na dificuldade; de se cercar de pessoas do bem; de ter um olhar de carinho consigo mesmo; de não depositar sua salvação em coisas externas ; parar de culpar e se vitimizar ; viver alinhado com suas crenças, suas ideologias e valores.

Que é felicidade pra mim, Adriann de 2025?

É aprender mais sobre mim e sobre como sou impactada pelas coisas, pessoas, escolhas, etc, de forma que estou sempre tentando modelar meus comportamentos e pensamentos para um melhor bem-estar mental e paz; é estar em contato com a natureza; fazer um exercício físico ou esporte na perspectiva de puramente me exercitar e relaxar ; me cobrar na medida certa ; fazer um doce gostoso ; estar com as pessoas que amo ; conversar com pessoas agradáveis, divertidas, engraçadas e amáveis ; ser aceita, não ter que tentar agradar e me modelar ; ter meu espaço ; sentir que estou fazendo o meu melhor e reconhecer isso. Croissant com café, meu bolo de ninho com morango é es-pe-ta-cu-lar!, música adequada pro momento, escrever...E você, que é felicidade?



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Suficiência

Estava pensando: Será que existe essa palavra: Suficiência? Ahh, sim, ato ou efeito de ser suficiente ou coisa do tipo, deve ser essa a definição no dicionário.

Hoje estava comendo um brownie e tive um leve insight. Primeiramente fui surpreendida porque tinha um pouco mais do que eu imaginava na minha mente que seria o pedaço necessário para me satisfazer, mas sabe como é né, a gente não vai deixar só esse pouquinho, mesmo que esse pouquinho nem faça mais tanta diferença assim na nossa satisfação. Como nosso corpo é inteligente_pensei. E mais ainda, como nossa mente também pode ser se soubermos o que nos basta.

É incrível o quão somos conduzidos a pensar que quanto mais melhor. E é um discurso vazio tão repetido que acho que dificilmente questionamos, afinal, é quase uma máxima e não queremos parecer loucos. 

-Ué, quem não quer mais?

E se esse mais for que nem o pouquinho de brownie que excedia minha necessidade e já nem me proporcionava mais aquela satisfação que se busca quando se come um brownie? E pior, se eu passar toda a minha vida atrás desse pedaço extra de brownie até que perceba sua irrelevância? 

Até lá foram muitas primaveras, muitos carnavais, muita energia, saúde, muito tempo.




A essa altura vou me atrever a afirmar: "O modos operandi da sociedade é nos manter sem pensar, apenas arrastados pela manada". O problema, de certo não pra mim, mas pra sociedade, é que nunca fui muito convencida por isso.

Conhece-te a ti mesmo! Já nem sei quem disse isso, mas alguém sem dúvida muito sábio. 

Já há algumas semanas venho desbloqueado algumas cartas de autoconhecimento sobre o que significa a felicidade na minha vida. E logicamente não adianta ter a carta em mãos e não usá-la. Foi aí que eu comecei a ter meu momento de café da manhã 99,99% dos meus dias, quando não são dias que realmente não quero, o que é uma raridade. Eu sou amante da energia da manhã e de ter um momento tranquilo comendo uma coisinha. Percebi também que amo correr de manhã, caminhar, estar em contato com a natureza e fazer coisas sem a pressão de que devem ser feitas ou o mundo acaba. Calma, o mundo não vai parar se eu não limpar essa louça. Não estou afim agora, acabou!

E, de repente, estou num dia em que tudo que eu quero é limpar a cozinha e sentir o cheiro de lavanda do desinfetante dizendo que sim aquele não é mais um ambiente hostil kkkk. 




O que você busca? Já parou pra pensar? Ou deixou que pensassem por você esse tempo todo?

O mundo muda constantemente e é um grande risco cair em armadilha de coisas ultrapassadas que talvez não se encaixem mais em uma nova geração. Mas independente da geração, é sempre um risco pensar que o meu suficiente será o seu, e vice-versa.

Porque eu me conheço e me descubro uma pessoa nova todos os dias. Mas tenho alguma ideia do que, ao menos hoje, tem me feito bem e do que me é irrelevante. 


-Você não é normal porque não tem mais roupas do que o necessário, não se endivida, tem um estilo de vida mais frugal e é moderada. Como assim não tem dívidas? Pareço quase uma santa kkkk.


É difícil silenciar as vozes da sociedade ou aceitar julgamentos quando você vai contra ou não se encaixa, mas saber seu suficiente e respeitar a si próprio está na lista de coisas que você não vai se arrepender.

Suficiência não é sobre conformismo, não é sobre escassez, não é sobre viver no limite e não ter ambição.

É sobre amor próprio, saúde mental, é sobre não ter que cair em esgotamento para perceber que nada daquilo te completava, como sempre te fizeram acreditar.

É sobre se conhecer e se reconhecer em seus processos, seu contexto e sua história de vida. Sobre a sua natureza, seu eu e aquilo que você vem construindo diariamente. É sobre você perseguir muito algo achando que aquilo vai te preencher e chegar lá e perceber que não, e então desviar a rota porque desbloqueou outra carta de autoconhecimento. É sobre se respeitar, valorizar e validar seus sentimentos, sua intuição. Você sempre se acompanhará nessa trajetória, sabe?! então você deve ser a pessoa mais interessada em saber e promover seu bem-estar. E por favor, se escute, se respeite!




Sou profundamente grata por sempre ter sido tão questionadora e inconformada. Isso já foi alvo de muitas discussões familiares, mas sem dúvida tenho cada dia mais paz por saber o caminho que traz felicidade pra mim e por finalmente perceber que não preciso de excessos.

Nesse ponto acho que muitas coisas me ajudaram: 1. É um pouco parte de minha natureza (inerente a mim) não precisar de muito, 2. Não tenho a necessidade de me provar pros outros ou demonstrar status,etc 3. Minha mãe em todos os dias que morei com ela kkkkk(e foram muitos) sempre me lembrou que preciso ser grata, tendo pouco ou muito (mãe, finalmente to aprendendo)  4. sempre fui muito questionadora e pouco convencida sobre o que dizem que é o certo sem bons argumentos e 5. pelo minimalismo, que conheci em 2018 e trago pra minha vida até hoje, e que me faz perceber que na maior parte das vezes já tenho tudo e mais um pouco, só falta agradecer. Essa pra mim é a definição de suficiência.


PS: Essas fotinhas de tumblr tão nostálgicas da época que iniciei esse blog. Às vezes meu suficiente não é inovar, é curtir a nostalgia. Acho que trarei mais vezes.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

A utopia do ser feliz no agora

 Somos como animais que foram domesticados!

Um animal domesticado parou de caçar, pois facilmente tem o alimento e a água de que precisa para sobreviver. E nós humanos, com toda a dopamina efêmera e acessível que nos é constantemente ofertada, paramos de nos despertar para o ambiente, descobertas e autodescobertas que nós, o ambiente e a vida temos reservados.

Quando paro para observar, vejo que vivi a vida inteira adiando minha felicidade. Lembro de como sempre fui tão sonhadora e imaginativa. E me lembro também sobre minha habilidade de jogar tudo para o futuro, pois enquanto houver amanhã, haverá esperança de ser feliz de verdade.

-Arruma suas gavetas e seu quarto menina_ dizia minha mãe persistentemente.

-Quando eu tiver um quarto bonito e só meu, será sempre arrumadinho_era minha resposta 

Mas como esta mulher sábia, que é minha mãe, sempre me disse sobre ser feliz no agora. Isso faz mais de 10 anos. 

No fundo, não culpo uma criança que sofreu agressões e abusos psicológicos de depositar a felicidade no futuro, mas felizmente não sou mais esta criança, embora tenho que consciente e constantemente fazer o esforço de lembrar da frase que minha mãe sempre me disse: "Se não for feliz no pouco, não será feliz no muito. Seja feliz e grata hoje".

Até semanas atrás eu ainda postergava minha felicidade. Desta vez para um futuro menos distante e mais previsível, a temida por muitos e amada por mim Segunda-Feira. Se eu trabalhasse arduamente no fim da semana eu conseguiria ter tudo o que eu queria e me fazia bem. Sabe o que é engraçado? Eu descobri que são coisas bobas e acessíveis, o que me convenceu a passar a tentar diluí-las para o máximo de dias na semana que eu pudesse, porque a felicidade não é uma questão de grandes esforços para talvez, quem sabe um dia e se tudo acontecer como perfeitamente calculado.

Ta, eu mato sua curiosidade, querido leitor, que por sinal, acho que eu nunca deveria ter parado de escrever. Já são bem mais de 10 anos e essa é, sem dúvidas, das coisas que eu mais amo fazer, e que sim, faço de graça. 

Um dia perfeito na perspectiva de meu eu atual: É acordar cedo (não como uma autocobrança, mas porque dormi cedo no dia anterior e meu corpo sentiu que já era hora, sem despertador- "um privilégio"), fazer uma corrida matinal por um parque lindo que tem próximo à minha casa, refletir e agradecer um pouco enquanto observo os patos no laguinho, ir ao mercado comprar 1 croassant simples rs, sim, e comer o mesmo com um café (mais leite que café) num grande copo de vidro. É tomar um banho com meus shampoos kerastase e fazer disso o spa de meu dia, regar minhas plantas. Eu arrumo as coisas não por cobrança ou obrigação, mas porque é gostoso estar em um ambiente que me acolhe. Posso ouvir música, ouvir pessoas sensatas e que me ensinam muito(youtube). Posso até trabalhar um pouco, e que tal fecharmos o dia com um jantar naquele restaurante top que descobrimos recentemente e que, pasmem, faz uma salada deliciosa, e não, eu não estou de dieta. Eu durmo porque já vivi o que gostaria neste dia, e adormeço e descanso tão facilmente porque nada invade meus pensamentos.

Estamos tão moldados a crenças: de merecimento, de trabalho árduo, de sucesso, de que a felicidade está em coisas, posses e sempre no futuro. Mas já parou para pensar que, tirando casos extremos, muitas vezes já temos tudo que precisamos para sermos felizes e gratos? Só falta de fato sermos.

Como é difícil desvencilhar, mas felizmente possível, e se fizermos gradativamente o esforço de nos permitirmos a felicidade no hoje vemos a leveza e sentido que nossa vida ganha por puramente estarmos finalmente vivendo o agora de verdade.


Saudades,

Uma Heliofóbica não tão mais heliofóbica assim, porque percebeu que a luz do sol pode ser muitas vezes tudo que precisamos para alegrar nosso dia depois de sucessivos dias de chuva.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

The clothes



It was a kind of green with brown, or something like this. I dont even like this colors.

What kind of color do i like? I think that i just realized a few years later, when i begin to stoppped trying to fit into external expectations and finally could use the clothes, colors and similars to my taste. But no without listen something about.

It seemed like there was always something that was a problem.

Too short, too long, for boy, very blue, very dark, need colors, need lipstick, make up, your weight, very thin, your skin, your hair, your face, you!

_These voices echoed from various parts, and for many years i listened its. (maybe im not completely oblivious. But sometimes i can only laugh).

  It seemed like the problem was me. But no...And i just noticed this later. When, more old, i found myself with insecurities and fears no reasons why.

I will no search guilty. If i transfer this events for another one i will just perpetuate this cycle: Its your fault! And then, i can do nothing about this, because its not my problem.

And the time pass, life pass, and me...Just one more person that dont treat your questions and try to do different, transforming and redefining.

What can i do for change the things?

The past? nothing.

The future? Dont exist.

But now, i can change my perspective, give another chance everyday...to do different for me and put any color in my life.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Os bois

Eram como bois viajantes, que balançavam conforme o movimento do mar. Ou seria rio?


Alguns murmuravam, outros alardeavam com seus aparelhos. Mas todos ensimesmados, ainda que esmagados por presenças tão próximas, e tão distantes.

Ao mínimo sinal, todos levantam-se e esperam perante a porta, agora aberta. A brisa balançava os cabelos maiores.
Alguns inquietos, outros, ainda sonolentos. todos, distraídos. Cambaleantes, alguns apressavam-se para também estar perto da porta, espreitando a temporária liberdade, se é que alguém é mesmo livre. E assim, distraiam-se em seus aparelhos, novamente. 

Com a sirene, a rampa desce e todos entendem o sinal: Estava na hora.
Alguns correm, outros são levados. Todos muito apressados nesse momento. Alguns tomam as ruas, outros as escadas , ainda aqueles que correm nas escadas rolantes. E correm, pois ainda era o início de um ciclo que parecia perpétuo. Infelizmente o era para alguns. 

E novamente parados em seus aparelhos. Distanciam os olhos por um segundo para espreitar a placa, que avisava quantos minutos faltavam. E novamente aqueles que corriam, pois também queriam estar ali, ainda que de fato não o quisessem.

Abre a porta e todos correm. É incrível como ela protagonizava as manhãs. Novamente esmagados ,balançavam com os arranques. 

E desciam, e corriam e queriam estar ali. Ainda que ninguém quisesse.
E desciam e corriam, pois ainda estavam atrasados. E chegavam, torcendo para que logo pudessem voltar para casa, descansar, pois no outro dia era tudo outra vez.

#UmaHeliofóbica


sábado, 26 de junho de 2021

Por que é importante revisitar?

 Oi gente,

Como tem tempo que eu não venho aqui (estava pensando)!!..E logo me veio a ideia de falar algo sobre isso. De cara já percebo que mesmo tendo parado de escrever há algum tempo, tanto aqui no blog quanto em meus cadernos, ainda existe alguma fagulha dentro de mim. Pois o tema veio de cara, como nos velhos tempos.

Lembro certa vez, quando minha mãe falou para mim, quando eu estava passando por momentos difíceis, sobre a necessidade de voltar no passado e entender a origem das coisas que geraram determinados desfechos. Essa é, com certeza, a memória mais imediata que me vem quando penso sobre isso. A outra talvez seja coletiva, quando falamos que devemos dar um passo atrás para alcançarmos dois para frente posteriormente. E de certa forma, ambas as perspectivas se conectam, pois nos mostram como a linha do tempo é completamente fundida, e como tudo faz sentido quando avaliamos as coisas para além do exato momento que observamos. Falo sobre contextos, sobre padrões de pensamentos e níveis de consciência, principalmente. Falo sobre o fato de em determinada época não termos a "capacidade" de irmos um pouco mais além ou simplesmente pular a fase do jogo porque precisamos vivenciar coisas que só depois conseguimos ser capazes de entender.

Revisitar não é se limitar, não é aceitar meramente ou pensar que as coisas estão iguais ao que foram no momento em que você vivenciou aquele momento ou espaço. É exatamente isso! Nada é o mesmo porque a vida simplesmente flui e nós, como vida e objetos da mesma, fluimos juntamente queiramos ou não.

É muito bizarro!! Já parou para pensar?

Aquele primo que você passou a infância e faziam tudo juntos...de repente talvez não há mais aquela conexão.

Ou quando temos uma memória afetiva sobre algo. Algum alimento ou lugar..E quando decidimos revisitar...Simplesmente não, cara kkkk.

Mas as revisitações podem ser surpreendentes positivamente também. As vezes algumas coisas nos tocavam de forma a nos entristecer, hoje são uvas passas kkkkk...Você simplesmente as come e..ta..não te causam nada. 

Tudo bem, foi uma péssima analogia..até porque as passas são muito polêmicas. Mas não consegui pensar em outra coisa.

O que quero dizer é que revisitar é tão essencial. Não como forma de viver no passado. Não, não faça isso. Por anos eu vivi lá, e nos piores momentos. A vida segue. 

Mas revisite algumas memórias pontuais sempre que julgar necessário, pois assim você consegue perceber o quão evoluiu. E evoluir é mudar...Não necessariamente de forma positiva, mas espero muito que sim.

Você se dá conta do porque de certas coisas ou encontra explicações para algumas coisas que você sempre se questionou. Coisas algumas que são importantes para seu processo de progresso como ser humano.

E talvez por isso vim revisitar. Talvez pra perceber se ainda sei fazer isso, a que chamamos escrever..sobre o primeiro assunto que me viesse a mente..simplesmente pra me testar e ver no que dá. 

Re-visitar

Re-vise

Re-visar

Revisitar

#UmaHeliofóbica


domingo, 8 de setembro de 2019

SOBRE ÀS sempre VEZES


Às vezes nosso maior erro é acreditar piamente que o outro é capaz de nos oferecer tudo aquilo que esperamos.

Às vezes somos tão rígidos e inflexíveis, não por assim sermos, mas sem nos darmos conta de que os caminhos podem fazer curvas e chegar a um mesmo lugar.

Às vezes esperamos que o externo saiba nossas necessidades, sinta como a gente. Mas o externo é outro. O externo não somos nós. O externo tem suas necessidades que também espera serem supridas e que possivelmente ou não, sendo tal externo um ponto fora da curva, note que não podemos despejar nossas expectativas nos ombros alheios.

E Às vezes nós só damos de ombros para as infinitas possibilidades, ignoramo-as. Às vezes esquecemos que não se lê pensamentos e o processo para que algo próximo aconteça é longo e exige esforços, tempo e dedicação.

Achamos, por vezes, que o outro, leitor de mentes e detentor de todas as habilidades, sabe e fará exatamente aquilo que precisamos. Mas sabe, esquecemos que o outro é apenas o outro e nem sempre será capaz de nos oferecer aquilo que queremos, pois muitas vezes o que queremos ele não tem.

E quando falo em ser o outro incapaz não sinta como algo pesado, como se agora estivesse eu culpabilizando o externo, como muito gostamos de fazer. Digo apenas que as pessoas são distintas e é isso que torna a vida muito mais interessante. Digo apenas que há outras formas, há infindas possibilidades. Há um mundo no mundo. Um mundo nas pessoas, e ninguém nunca nos iludiu afirmando que nos relacionarmos é a coisa mais prática. Mas é essencial e pode ser incrivelmente satisfatório desde que saibamos como fazer. 

Não, não busque um manual. Nem tudo que precisamos podemos encontrar em livros. Nem tudo que precisamos temos que buscar nos livros. Às vezes é tudo questão de feeling e empatia. De sabedoria e maturidade. Coisas que adquirimos com o tempo e se assim for, já tenha como algo esplendoroso, pois nem todos atingem mesmo com o passar dos anos.

Esse ano iniciei um novo curso na faculdade e, na verdade, estou finalizando meu primeiro período agora. Tenho uma turma incrível e com pessoas tão diferentes, mas tão especiais.
Estava pensando por esses dias como são engraçadas essas coisas. Fulana é tão objetiva e Às vezes, alguém tão sensível quanto eu, pode encarar o que ela fala como grosseria, porque a maioria está acostumada a fazer rodeios. Mas ela é ao mesmo tempo tão fofa e prestativa. Outra que é séria e que quer ser levada a sério, mas que quando sorri, mostra que não temos somente um lado. Um rapaz que também é sério, fechado no grupo, mas que também se mostrou muito prestativo essa última semana mandando um site que poderia nos ajudar a estudar para a prova. E ao receber um obrigada com um emoji fofo e outros obrigadas, ele não respondeu: De nada emoji fofo como talvez eu esperasse, mas um: tamo juntos ou algo do tipo. E cara, foi aí que eu tive esse feeling. E não troco essa turma por 48 Adrianns. Talvez em algum momento eu não suportasse isso.

Tudo bem a diferença. Tudo bem desde que saibamos que é um caminho à frustração viver imaginando que o externo sabe o que acontece no nosso interior. Pois se assim o fosse, o caos estaria instalado.

-Ahh (suspiros) Quem dera ser tudo tão mais esclarecido, tão mais fácil _Pensava Elizabeth.

Mas seria mesmo ou encontraríamos um jeito de nos perder?
E é por tal que me vejo tantas vezes confusa, perdida, tão sem saber o que fazer.
O que é certo ou errado? O que ta dentro da normalidade?
 Mas existe mesmo uma normalidade?
 As pessoas não tÊm manual
A vida não vem com um roteiro
Mas o que há de errado com isso?

#UmaHeliofóbica

domingo, 30 de junho de 2019

Diáfano

Hoje o dia se pôs opaco.
Opaco porque chovia e eu não via o transparecer que fazia transparecer meu sorrir.
Mas quem dera a opacidade fosse mera casualidade de um dia chuvoso
Quem dera se levasse como foco uma vida de transparência, luminescência,claridade.

Sabe, sempre fui muito direta, objetiva, determinada. Acho que é uma das poucas coisas que não transmudei em todos esses anos e me orgulho demasiadamente disso.

Sempre me elogiaram a sinceridade, a verdade, a honestidade..ou se puseram incrédulos por vir alguém tão "certinho", por mais que eu não acredite ser esse o melhor rótulo para me pôr.

E por essas voltas da vida, em todas elas fui muito ávida pela luz, pois achava que tão somente ela seria capaz de me guiar e levar ao caminho certo rumo a objetivos que nem sabia eu tantas vezes quais eram ou as consequências de alcançá-los.

Por essas voltas sempre me enganei com a inverdade posta por mim mesma de que respostas e claridade eram absolutamente positivas e necessárias para que tudo desse certo no final.

E de então, peguei-me me apegando a paradigmas que sem eles seria eu uma pessoa frustrada. Frustrei-me.
De então, punha-me triste ao não ter respostas aos meus questionamentos. pude, de tal modo, encarar a escuridão sem nada poder fazer além de buscar meios de me resolver sozinha, sem a tal da "imprescindível" luz.

Luz que se mostrou prescindível.
Como se pode tÊ-la como essencial e inegociável?
Como pude ofertar a ela patamar o qual não merecia?

Muito se teoriza acerca de bem e mal. E o escuro é sempre as trevas. Foi então nas trevas que me transformei em minha melhor versão. Pois a dificuldade está na luz ou na sombra, mas nesta, não temos a impressão de que estamos acompanhados e que tudo ficará bem, dando ar de comodismo e nos fazendo estagnar. Ela nos obriga a nos movermos se quisermos tais respostas, sem sequer saber se teremos , quais serão ou quando virão.

Pois a resposta não está na luz. Nunca veio dela
A resposta está nas incansáveis batidas que damos no escuro até que aprendamos a ser luz e transcender.

Hoje fui feliz e sou feliz. Pois tudo que me faz sorrir foi fruto de muita tentativa e erro. De muitos banhos salgados. De muitos abatimentos e vontades de desistir.
E sem tudo isso, como poderia eu valorizar cada detalhe que deixa transparecer minha luz?

Hoje sou vida, ainda direta e objetiva sobre minhas vontades e afins, mas sem me prender a certezas as quais não existem. As quais sempre busquei e que me faziam privar-me de viver, de me entregar, de ser feliz, de acreditar que as coisas podem dar certo, mesmo sem saber o dia de amanhã.

Hoje me coloco imersa na dúvida e me delicio com cada coisa incrível que ela pode me proporcionar.
E se não? Não
Se sim? Sim
Mas desde que sempre inteira e sem "se eu tivesses..."

Deixo que meu olhar transpareça quem sou e o que quero, e que meu sorriso revele o que meu interior não diz. Pois nem tudo precisa ser dito, e ainda assim...Diáfano.
Se quer, seja. Diáfano

Pois a opacidade aqui reflete e diz muito mais do que julgamos estar claro, e dá espaço para que sejamos cada dia mais diáfanos.



sábado, 11 de agosto de 2018

Inebrio

Desde que conheci a palavra êxtase, sempre a guardei com um certo carinho no rol das favoritas. Muito embora não dê nome ao texto, ela pode ser considerada, como bem diz o dicionário, o sinônimo de inebrio. Tão suprema quanto.

**A propósito, não julgue incoerente o parágrafo anterior. Deduzo que já deve ser de comum saber que sou a pessoa mais confusa que pode haver, e, talvez isso não seja o que há de pior.

Como dizia, sublime. Pois talvez tal vocábulo mereça esse posto dada a escassez de circunstâncias que nos provoquem a evasão de nós mesmos a algo transcendental. 

Meu caro leitor, sinto-me hoje um pouco mais sensível que os outros dias, então pensei que seria útil dar-te um olá com algumas palavras que emergem de meu âmago. Como tem sido raro o treino, o qual uma boa escrita demanda, espero que, ainda assim, seja capaz de transcrever algumas coisas tocantes.

Diz-me, há algo que te ponha inebriado? 

É tão insano pensar acerca disso, uma vez que nos dá a impressão de apatia, haja vista não sermos mais tocados tão facilmente ou, minimamente, prova-nos o quanto há menos coisas de fato valorosas para nós.

O que te deixa em êxtase? Já parou para pensar?
Aquela comida, carro, passeio? Aquela pessoa, lugar, imagem? Aquela música, aquelas sensações inexplicáveis, aquele maravilhoso sentimento de vida?

Inebriar é nos inquietar, é acordar o que outrora há tanto dormia com tamanha profundidade que pensavamos estar morto dentro de nós. Freud chamaria isso de recalque ou é engano meu?

Há tanto não sorriamos de tal forma e nos afetavamos com outras presenças. 

O acomodar-se nos impede de inebriar, impede-nos de vir o que há ao nosso entorno, impede de sorrir com maior plenitude.

Mas é essa uma palavra tão complexa, tão, de certo modo, traiçoeira. O que vem após o êxtase?
O que vem após a explosão de toda pura alegria que estava acorrentada? Há cansaço? há desespero? Há mais inebriar?
Epicuro, possivelmente, repreender-nos-ía ou somente a mim, pela apologia ao inebrio, mas em uma época de valores tão difusos e questionáveis, penso que até ele mudaria sua filosofia.

Há sempre luz, mesmo nas noites mais escuras
E sempre há felicidade à espera de nosso regozijo. No entanto, somos progressivamente tão mais cristalizados pelo espírito de nosso tempo, que acabamos por desaperceber tudo que de melhor nos é proporcionado rotineiramente.

Rotineiramente, pois a vida, mesmo daqueles que muito fogem, é uma rotina. E rotina não precisa ser um termo depreciativo e ínfimo do que, de fato, é a nossa vida. Ele não precisa nos causar repulsa ou tédio só em sua pronúncia. Induzindo-nos a pensar que é somente na fuga à rotina que a felicidade se faz presente. Pensar assim é não somente sabotar-se, mas fechar os olhos para a felicidade. Uma vez que a felicidade não vem a nós, somos nós quem vamos até ela.

Sim, é verdade. Pensa bem, suponha que nos guardemos durante todos os dias ditos úteis para que no sábado ou domingo possamos fazer algo de que gostemos, como: ir à praia ou cinema ou parque...E vamos dispostos a dar o nosso suor para que fiquemos inebriados. Enquanto isso, passam-se segundas e terças e quartas e quintas..e com eles as felicidades guardadas para cada dia, não aproveitada ou, caso sim, não em sua plenitude. Haja vista compor nossa rotina,sendo, portanto, "algo menor", talvez pensemos.

Por que não se inebriar com um sorriso de um estranho ou de uma pessoa no coletivo cuja história lhe tocou e você acabou dando suas moedas da água de coco e recebendo um sorriso de agradecimento?
Por que sintetizar, simplificar coisas e pessoas e acontecimentos tão significativos à espera de algo que se julga muito maior e que, talvez, não possa, no fim das contas, ser tão superior à soma ou individualidade de cada uma dessas felicidades?

Inebrie-me_Peço à vida. _Deixe-me em desalinho quanto a esse agir socialmente aceito e naturalizado. A vida é tão mais, mas somos sugados por nossos arredores.
-Palavras_eu digo. _Palavras.
Pois são elas tão ricas  e poderosas. São elas tão impactantes e provocativas de emoções outrora desprestigiadas. São elas capazes de nos fazer notar o quão estamos sendo tolos.

-Hoje foi um excelente dia_E, de repente, a felicidade sente-se reconhecida a ponto de nos trazer mais desses. -obrigada_agradeça

Agradeça, pois é tão difícil o despertar, que somos levados a acreditar que só há transcendentalidade no que está além de nosso dia a dia. Note e aproveite. Haja vista ser tudo muito efêmero e se não dignarmos nosso melhor a reconhecer e desfrutar, perderemos a sensibilidade para inebriar.

#UmaHeliofóbica




domingo, 10 de junho de 2018

Felicite-se com o brilhar do sol para outrem

Não faz muito minha mente deitar elogios ao tão aclamado sol.
Ele que é o dono, segundo muitos, dos dias mais lindos e enérgicos, e que, incontestavelmente permite a vida em terra, faz parte de todos os nossos dias.

O sol que brilha com diferentes intensidades para diferentes pessoas em distintos momentos
Sol esse que me faz sorrir mesmo em sua intensa presença quando ele, metaforicamente, brilha para mim.

Mas olha lá... E a alegria era observada tão atentamente por todos aqueles olhares que não participavam dela. Mas será que não poderiamos ou  seriamos capazes de nos comprazer com o tão mais que contentamento daqueles que viram o dia brilhar em noite chuvosa?

Para você vir, meu caro leitor, a falácia daqueles que nomeiam  feios ou tristes aqueles dias de chuva. Era esse o mais belo na vida de cada um daqueles rostos
Diría eu, então, que é, portanto, uma difamação à esplendorosa majestade.
Ora, não posso, eu, nomear a chuva assim? Claro que posso. Está enquadrado como um direito, "Liberdade de expressão".

Eles sorriam incontidos. Alguns , acredito eu, já deveriam ter chorado anteriormente.
Anteriormente naquele mesmo dia, só que de alegria.
E anteriormente em outros dias, no desesperador percurso da empreitada.
Mas hoje era tão mais que felicidade.
Tão mais porque felicidade é algo tão relativo e grandioso, mas parece ínfimo demais para traduzir o semblante daqueles garotos.
Garotos que tão jovens pareciam terem ali alçado tudo, e nós, do outro lado da pocilga formada por finos fios acumulados de chuva, prestigiavamos apenas. Assistiamos como desinteressados ou empáticos àquele espetáculo concedido.
Alguns com estima de ser um deles, outros, imaginando seu sol brilhar e ainda os que adentraram e comemoraram a nova vida que o outro passaria a ter. Mas nenhum indiferente.

E isso é interessante perceber.
É interessante porque é inerente ao ser humano o sentir (salvo casos seletos)
E quando me refiro ao sentir não restrinjo as formas como serão sentidas as diversas experiências.
Sentir bem ou mal, sentir-se bem ou mal. Então, porque não se aprazer mesmo quando algo benéfico  atinge a outrem?

Conte-nos mais acerca daquele festival de sorrisos_Vocês devem pensar.

Pois bem...não durara tanto até que os meninos se foram dali, mas e quem disse que o júbilo tem de ser eterno para ser bom?
Isso me soa mais como desesperador. É como se dissessemos: Vamos, por favor, não se vá, pois pobre sou que nunca presenciei alegrias similares ou jamais me acometerá tamanha transcendentalidade outra vez.
A intensidade era severamente gratificante, mesmo do lado daqueles que apenas vislumbravam seu momento.
Era uma energia que ecoava e que falava por si só, haja vista as palavras, apesar de serem minhas melhores amigas, atuarem de forma vã em alguns momentos, tais como esse.

Feliz era aquele, mal sabia, não somente que presenciava o lado incontido e sublime daquela noite, mas os capazes de comprazer-se com o diáfano brilho do sol para aquelas faces rubras e mistas.
Feliz porque inteligência e maturidade é, também, ser feliz com e por outrem, sabendo aguardar o seu momento, sem ser tomado pela pressa, sem se sentir menos por ainda não ser sua vez.

Acalme-se. Pois é tudo tão calmo até que a intensidade chegue, e isso nada mais é que um tempo necessário que te prepara para a expansividade das emoções.
Chegará o momento em que estarei do outro lado e espero que, chegado ele, saibam outros, assim como eu, vir brilhar o sol para mim e esperar que ele também chegue para eles.

#UmaHeliofóbica




sexta-feira, 13 de abril de 2018

Esse texto não precisa de um título

Era mais uma sexta e Lisa já não lembrava dos tempos em que esse fora seu dia predileto na semana. Na verdade isso foi há longínquos anos, quando ainda uma imatura menina do ensino médio.
Mas agora já não era mais a mesma, uma vez que o universo é um constante fluxo, e pudera ela levantar as mãos aos céus e pôr-se grata por tal máxima ser verídica. Mas até que ponto?
Lisa pensava, em alguns momentos, acerca do que era em terra e o que perseguia.
Pensava sobre como já fora tão mais persistente, contumaz, determinada...Teria o universo roubado a velha Lisa inclusive em suas poucas, mas incontestáveis excepcionais virtudes?
É tão raro encontrar pessoas tais como Lisa era quanto a esses pontos listados.
Lisa tinha um foco que a cegava, conseguia tudo que era possível de se obter, desde que fosse de sua estima. E agora estava ela, tão sem vida quanto folhas mortas, desejosa apenas por recuperar o ânimo que outrora tivera para coisas não tão promissoras.
Seria essa uma consequência de se amadurecer? Isto é, dar causas como vencidas? contaminar-se pela extrema descrença das outras pessoas e não ser muito mais que um prestigiador daqueles que não foram vencidos pelo fluxo do universo?
Que, por acaso, convém falar que não se mostra tão positivo se pensarmos por essa perspectiva

Anda Lisa, o tempo voa, o tempo flui
Alguém ajuda essa menina, menina que há pouco era tão autossuficiente e mesmo que sentimentalmente frágil, facilmente quebrantável, era ferrenha e guerreira em todos os outros aspectos que não envolvessem o coração.
E agora é tudo o que importa a ela, esse resto.Mas a maturidade não parece por completo benéfica. 
Lisa não queria jamais ser intoxicada por frustrações alheias, mas é tão vulnerável, sempre acreditou em energias e por mais que faça de tudo, aliás, isso é algo que devemos reconhecer "Lisa permanece persistente", sempre se fragiliza por algo que a puxa para baixo. Não seria essa força a gravidade, uma vez que a mesma sempre esteve presente em sua rotina anterior.

Compreensão._Talvez seja essa a palavra, mas poderia o tempo esperar até que ela compreendesse e buscasse uma solução para si mesma? Jamais!
Do contrário, ele passa e nunca passou tão rápido. Ela persiste numa constante e árdua, fervorosa, persistente, determinada perseguição de algo decisório.
Pensando assim, talvez seja tudo questão de perspectiva. Talvez esse lado benéfico de nossa Lisa não tenha se perdido no fluxo, muito provavelmente ela só esta, desta vez, em busca de algo de dimensão tão superior a suas anteriores metas, e por isso pensa estar tudo complicando-se mais, dizendo a si mesma não deter mais as que julga: "poucas características das quais muito me orgulho".
Persiste Lisa, mantenha-se firme.
É engraçado como ela nunca precisou que lhe dissessem isso, nem ela mesma. Mas hoje, a todo instante diz a si em alto tom ou em sussurros, nas ruas ou nos coletivos:"Você consegue!", mas baixinho, em seu ínfimo, uma descrença alimentada por condições externas à nossa pequena Lisa.

Como desintoxicar-se? Como cegar-se diante de tudo aquilo que só nos põe para baixo e nos faz pensarmos que talvez não sejamos tão capazes quanto imaginavamos?
"Give-me a answer!"_pede com seu frágio inglês, que abandonou há alguns meses a fim de se dedicar a outra meta.
Tenha foco, seja individualista(nem sempre isso é negativo), vislumbre-se em seu mais latente desejo. Você consegue pequena Elizabeth. 
É ainda jovem, não fora por completo tomada pelas mazelas das quais padecem tantos aqueles que se acomodaram e se permitiram ser plenos na condição da maturidade. Seja, com prudência, aquilo que fora em seu melhor, pense no porque da nova meta e traje-se com tudo aquilo que você mais admira em si e que sempre te fez chegar aonde desejou, perspicácia.

#UmaHeliofóbica

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Consciência

Que domínio tem sua consciência sobre ti?
E que domínio você exerce sobre ela?
...
Eu estava me lembrando, depois de parar e pensar sobre uma situação nefasta, o quão sempre fui alertada por minha mãe sobre ter uma consciência tranquila. Quer dizer, não lembro exatamente o que ela dizia ou diz a respeito, mas a ideia central é: "Utilizar a consciência como base para meus atos". Como se fosse um termômetro, algo assim.
E é engraçado lembrar disso, pois acabo de pensar no que era uma constante minha: "Se conselho fosse bom não se dava. Vendia"_típico pensamento capitalista? Pode-se dizer que sim? (risos).
A verdade é que por mais que eu sempre tenha demonstrado, em boa parte de minha vida, alheamento às orientações recebidas, elas se impregnaram em mim.
E confesso que, de fato, sinto-me feliz e agradecida por isso.


Como vai sua consciência, meu caro leitor?
Sim. Entenda isso como um diálogo amigável e nada além disso.
A minha está, creio eu, bem. Aliás, como disse a pouco, as orientações impregnaram de um jeito que me coagem em quaisquer atos que minha consciência julgue reprováveis. Desde ficar 5 minutos sem o aparelho móvel a coisas além.
Ta. Agora você me diz que sou boba, santa ou sonsa. Mas não se trata disso. 
Procuro pensar meus atos, e quando maus, eles me atormentam a consciência até obterem uma resposta a fim de reverter tal quadro.
Mas, então, apresentada à uma situação que pesaria extremamente se fosse comigo, parei para refletir e pensar: "Como está sua consciência?"
A vida só segue. 
Você acorda e, como de costume, escova os dentes, toma banho, come, e finalmente, inicia o dia.
Você dá bom dia à pessoa gentil do elevador, cumprimenta o porteiro, conversa rapidamente com a moça do restaurante (no momento do almoço), e segue a vida.
Você sorri com naturalidade e ri das mesmas piadas, você lê um livro, estuda para a prova, ouve música, pensa sobre o que vai comer no jantar, observa as pessoas e percebe que está tranquilo consigo mesmo.
Aliás, percebe não. Pois para perceber você deve dar importância a algo ou ao menos pensar a respeito ou se sentir afetado, e como já falei: Sua consciência está tranquila.
-Diga-me, por que está?
É tão confuso para mim lidar com o abstrato, e são abstratas situações as quais não consigo me visualizar.
Achei, por um breve instante, que estava sendo empática, mas nada mais era que falta de compreensão.
Diga-me leitor, como se sente ao pegar a última fatia de torta de doce de leite na geladeira mesmo sabendo que ela tinha um dono, que não era você?
E o que me diz daqueles 10 reais que você viu cair do bolso de uma jovem, mas ficou para si?
E quando um idoso extremamente vulnerável está de pé ao seu lado no coletivo e você, sentado, volta a cabeça para a paisagem exibida através da janela?
Ta..talvez você me diga que oferece o lugar, devolve o dinheiro e que está de dieta. Então, neste caso, como se sentiu quando falou duras palavras a alguém que, importante ou não para ti, gosta muito de você?
Ou quando deu em cima de alguém mesmo tendo namorado(a)?
Você não deu em cima? Neste caso, como se sentiu tendo, de fato, concretizado? Não o fez? Não o fez ou prefere pensar assim?
Como se sentiu ao sair do fim de uma fila quilométrica e ir para o início, porque conhecia alguém? ou quando deixou de enfrentá-la em um hospital, banco ou quaisquer desses lugares morosos?
Como se sentiu quando quase derrubou alguém com uma ombrada ou pisou no pé, mas não pediu desculpas? Como se sentiu quando falou mal de um amigo ou maldisse alguém?
Como está sua consciência?
Parece uma pergunta suficientemente adequada agora?
Parece bem colocada e faz algum sentido?
"Tenha consciência de seus atos"_acho que é assim que diz minha mãe. E acho que tenho tido em boa parte das vezes. Aliás, quem é perfeito?
Talvez o problema não seja o erro. Aliás, não o é de modo algum. O problema é quando banalizamos maus atos de modo tal que eles já não nos afeta. Sabe? quando uma criança se vê perplexa quando alguém ultrapassa o sinal. Mas quando cresce, essa se torna uma trivialidade.
O problema é a escassez ou inexistência de sensibilidade para perceber o erro ou sentir certo incômodo por ter feito algo que foge de seus valores
Ou talvez seja exatamente isso. Quer dizer, valores.
Pesar-me-ía (tentarei não usar mais mesóclises) a consciência jogar uma garrafa de água na rua. O que é um ato razoavelmente bobo (pois foi banalizado e normalizado). mas, depois de ter sido advertida por minha avó, quando eu tinha menos que 10, não tenho lembranças de repetir tal ato. (percebe-se aí a importância da educação e, em alguns casos, repressão na vida das crianças).
Eu não sou direta ao ponto muitas vezes. Ao invés disso, enrolo ou dou a entender retribuir interesse por aquele que se interessa por mim, não porque gosto de iludir, mas porque não sei como dizer que estou bem sozinha. Eu magoaria e isso pesaría a consciência, em muitos casos. Pois me coloco no lugar dela.

É difícil entender as pessoas quando elas são tão discrepantes de nós. Mas será que deveria respeitar mesmo diante de um ato indigno que sequer assopra negativamente sua consciência?
Talvez não caiba a mim fazer nada além que zelar pela minha
Talvez nossos costumes e educação tenham sido tão destoante quanto nossas consciências
E não posso fazer nada além de aceitar
Mas e você, leitor, como está a sua?

#UmaHeliofóbica


domingo, 24 de dezembro de 2017

Do duro sistema

Tinha um corpo esquálido. Seus braços morenos, tão finos quanto dois ossinhos, apoiavam-se numa espécie de retângulo metálico (chamarei assim, pois não sei o nome), enquanto os estreitos dedos seguravam na barra amarela à sua direita.
Por trás daquela gigante camisa, que praticamente engolia a garota, era fácil perceber dois vultuosos ossos, as escápulas. Mas usava um pequeno short jeans por baixo daquela miscelânea de vermelho, verde e amarelo. As cores que, juntas e listradas, como estavam, representa o regae.
Fiquei por uma parcela de tempo, o quanto me foi possível, isto é, enquanto estive em sua presença, a fitar incessante a tal menina. Ao passo que ela, aérea, talvez, não sei ao certo, observava a paisagem de fora do vidro da porta.
-Até que ponto é bela a magreza? _pensei. 
Pensei porque isto só me veio à mente.Eu geralmente não escolho o que pensar em momentos não programados para isso.
Pensei pois tantos de nós passamos muito a nos ocuparmos com uns dos números que nos definem, que esquecemos que nem sempre eles são sinônimo do que consideramos belo.
Estava diante de uma feia magreza. A magreza da fome,da necessidade, da apatia alheia, da falta de escolha, de oportunidades, talvez, de família.
Estava diante do menos saudável tipo dela, isto é, da magreza. 

Ahhh(suspiro)... eu olhava insaciável, na esperança de ter seu semblante voltado a mim, a fim de que eu pudesse ao menos captar o superficial dele e transformar em algumas humildes palavras. Mas não me foi lançada sequer a possibilidade de uma virada de perfil. Quem dirá algo mais.
-Sería mesmo necessário?
Prossegui distraída com sua presença. A fina menina desprotegida, desalentada, receptora de olhares de desprezo ou da falta deles. Habituada.
Mas alguém a notou além de mim, pouco depois.
Um rapaz se pôs atrás dela. Muito próximo, por sinal. De frente a seu dorso e se pôs a olhar sua bunda.

-Sai daí menina, sai daí._Eu tentava me comunicar mentalmente.

Mas ela prosseguia indiferente ao próprio ambiente, tal como o ambiente parece ser indiferente a ela.
Não notava ou não mais percebia os riscos desta falsa segurança que os anos de rua lhe haviam proporcionado. Parecia sentir-se incólume ou fraca demais para continuar lutando contra o que chamamos de sistema.
Por sorte estava eu lá, de resguarda, pronta para me dirigir àqueles maus olhos que espreitavam o ambiente, em busca da oportunidade. 
Mas ele nada fez. Desceu pouco depois, junto a mim e outras dezenas.
A garota permaneceu lá. Segurando-se no apoio, enquanto, a sua volta,tantos ingressavam e egressavam, rumo a seus lares às 17 horas e pouco da tarde.

-Você,para onde vai? Você vai? Para onde?  Sabe?

Ela, talvez mudasse um pouquinho seu semblante para frustração.
Que tristeza! _É de se pensar.
Ao menos eu assim penso. Pois estava, ao contrário dela, magra por opção, desgrenhada por mania, com largas roupas por conforto. E ía encontrar minha família no shopping, para retirar o amigo secreto e comemorar num restaurante fast-food famoso, e cujo hamburguer comi pela primeira vez e odiei. Ela não tinha sequer a chance de gostar.

É tão pouco e tão normal quando se habitua a esta rotina. Tão quanto ela provavelmente perambulava tranquilamente pelas ruas às nove da noite, enquanto eu atravesso a ponte próxima a meu condomínio rezando, quando está escuro e vazio.
A gente se acostuma tão facilmente que vamos sendo levados pelo automático irrefletido.
Nós escarnecemos de tanto que temos e esquecemos dos que não tem.
Substituímos o pensar acerca e a empatia pelo: "Que bom que a polícia está aí. Pelo menos esse vagabundo vai preso"._ foi o que ouvi, minutos depois de uma garota, de 8 ou 9 anos, num segundo coletivo.
Era um garoto, adolescente, pego por cidadãos e, em seguida, pela polícia, depois de roubar algo e tentar fugir.
Olhei o semblante deste quando meu ônibus passou perto.
Havia muitas pessoas ao redor. Algumas sorriam e comemoravam, ao passo que o menino tinha seus pulsos algemados e era levado, junto à triste expressão, à viatura.
Não me senti bem, como muitos pareciam ter ficado.
Eu não estava feliz ou aliviada ou tomada pelo prazer em vi-lo pagar.
Não senti, juntamente, dó. Porém, pesar. (não sei ao certo se são ou não sinônimos)

Pesar porque ele, assim como a tal garota, eram da parte abjeta da população. E, possivelmente, posição sem chance de transferência.
Fadados a serem frustrados, ignorados, mal olhados e a receberem sorrisos somente quando estando em pior situação. Pois má, vivem constantemente.
Ao contrário deles, a tal garotinha de 8 ou 9 e seu comentário, possivelmente reproduzido por osmose, estava acompanhada da genitora e uma outra moça. 
Por mais leiga que fosse, a genitora, é sua família, e como tal, responsável por transmitir-lhe digna educação, quanto a valores.

Estava também, em mesma situação, um menino de 9 ou 10, que vi nesta mesma semana com sua mãe no ônibus.
Ele, ao terminar de beber sua água, questionou o que deveria fazer com a garrafa.
-Jogue aí mesmo guri. Depois eles pegam e jogam no lixo. Quem manda não ter lixeiro.



-Que crianças estamos (mal)educando?_pensei.



Diferentemente das duas primeiras, estas outras estavam acompanhadas da genitora, e pareciam ter condições de viver incontestavelmente superiores, ao menos para o básico, para sobreviver.

Estas tinham, em teoria, opção, diferentemente das primeiras. E sorte por haver uma chance um pouco maior de mudança na casta social. Mas isso ocorrerá mesmo ou perderão o potencial pelo mau aproveitamento da oportunidade?
Talvez eu nunca saiba, delas ou das outras. Provavelmente o sistema prossiga com elas do mesmo modo que tem sido. E é triste assim pensar, mas o que posso fazer?
Sou eu bem pouco. Tão pouco quanto elas. Impossibilitada de, sozinha, reverter esta ordem fechada.
O que cabe a mim, acredito, é apenas agradecer pela sorte que tenho, pela família e pelas oportunidades. Já que não escolhemos. Só somos lançados nesse mar, com algumas pré-determinações duras de serem quebradas.
-Estude!_Minha mãe sempre me disse._Estude_É o que me aconselho, pois recebo este valor desde cedo._Estude. Pois há tantos que sequer têm a chance de estudar. Há meninos que não receberam ao menos a instrução, e outros com pais que acham a maior afronta ouvir da criança que ela quer estudar, e não pedir esmolas e prosseguir nesta "vida".

-Agradeça!

Como fui favorecida por receber bons conselhos que, gradativamente moldam minha história, meu percurso e meu destino. _Dê valor_Faço das palavras que recebo de minha mamãe, mantras, depois desta reflexão.
Pense: Quantos gostariam de estar aqui? Se não pode fazer algo para ajudar, ao menos agradece.

Ps: Aproveitando o espaço para agradecer à minha mamãe pelo livro que eu tanto queria <3
Ps²: Feliz natal!



sábado, 21 de outubro de 2017

Festas? não, obrigada.

Eei, tudo bom?
Estava eu aqui neste belo sábado e decidi me aventurar. Arriscar-me em mais uma festa.
Sim, depois daquela trágica a qual fiz um post há sei lá quanto tempo.
Brincadeira. Na verdade eu não tinha muita escolha e seria uma imensurável desfeita não comparecer  ao primeiro casamento de um dos meus primos.
Mas, sabe, realmente esta vida (de festas) não é para mim e tenho, agora, plena convicção.
Senti-me não mais estranha, antes fosse, senti-me acuada, deslocada, um peixe fora d'agua.
Eu, que esperei ansiosamente para usar o lindo vestido azul marinho com um tamanco vermelho (julguem-me porque falo TAMANCO) e um brinco gigantesco que fazia eu me sentir uma drag (minha mãe me obrigou cada detalhe), dou graças por ter acabado.
Foi mal, esta não sou eu, mas se quer saber, não faz mal.  Acho que as experiências são úteis para que nos conheçamos melhor e paremos de nos submeter àquilo que não nos apetece. ao menos quando é possível.

Leitor, quero que saiba que me sinto um pouco melhor agora por estar aqui compartilhando um pouquinho disto com vocês. Sinto-me aconchegada como se eu estivesse a conversar com alguém que me compreende e me acolhe, alguém que é igualzinho a mim. E por isto não pude deixar de escrever algumas palavras e me despir daquilo que estava me pesando os olhos, fazendo-me chorar a pouco, e trazendo uma enorme dor de cabeça a quem não bebeu sequer um gole de álcool porque não se satisfaz em tal ato.
Senti-me mal por Ns motivos trazidos pelo estopim festa,e, então me pergunto: Quem pode te dizer o que é aproveitar a vida?
Pois para muitos isto (festa) tem papel essencial neste processo, mas a mim é, depois de estar exposta ao sol, meu pior pesadelo. 
Desculpe.Eu só precisava falar.
Eu, que já me questionei tanto porque sou assim e sim, tentei dar chances, vejo que isto não sou eu, que isto não me faz bem, pelo contrário.
Gosto de crocs não de tamanco
Gosto de brincos pequenos ou nenhum e não aquele lustre em minhas orelhas
Odeio maquiagem porque eu cuido demasiadamente de minha pele para não precisar ficar dependente disso
Minhas unhas não pintei, não fiz, não deixei grandes (ao menos isto não fui forçada)
O vestido é de fato lindo, fui eu, inclusive, quem escolheu. Usarei de novo outras muitas vezes, espero..Mas nada se compara ao meu moletom e minha calça também moletom
Os cabelos soltos impecáveis são uma graça, mas gosto de bagunçar a meu modo, passar as mãos 500 vezes e sentir que ainda não estão bons e simplesmente me irritar e fazer um coque
Álcool não passa em minha boca. O gosto não me agrada, estraga minha pele, minha saúde e meus órgãos (se tudo der certo quero doá-los, então, tenho também que conservá-los)
Mal os doces, pelos quais me privei toda a semana de porcarias, só comi três e me senti superlotada e enjoada
O coquetel sem álcool estava mel para mim, definitivamente desacostumei. Tinha refrigerante e eu não gosto de refrigerante, tinha açúcar e galera, não me levem a mal, mas eu tomo suco de limão sem açúcar, então aquilo não me desceu. Dei uma segunda chance, realmente não deu.
Minhas pernas doem, minha cabeça, meu corpo, minha mente..Cara..isto é o que chamam diversão?
A lembrança recorrente que tenho é das pessoas dançando ao meu redor e eu dura, sem conseguir me mover, constrangida, sem molejo, nada...não dá. Fui para o canto, perdi minhas companhias para o álcool, a música, a diversão que eu não conseguia e ainda não consigo enxergar. Como pode haver uma dicotomia tão grande em pessoas tão próximas?
Minha segunda distração da noite, um fotógrafo muito lindo, a esta altura tinha partido, para minha tristeza. E eu, por sorte, consegui fazer o mesmo antes de dar vexame sem precisar abrir a boca.

Agora?? Agora acho que consigo dormir depois de expelir estas palavras.
Sabe, sempre fui do tipo que faz vergonha à mãe e a quem me escolheu para seu amiga, porque infelizmente, não tenho maturidade para guardar o que sinto e fingir que estou ok quando não é verdade. Preciso de algum modo pôr para fora meu sentimento e me dói os ossos quando preciso ser forçada.
Isto ocorria quando eu era obrigada a viajar para o interior quando criança e continua hoje, quando tenho de ir numa fantasia para um ambiente que não me apetece.

Bem..se minha tia estiver lendo isto agora, provavelmente me achará rude kkk. Ela sempre diz que sou dura com as palavras, mas é que elas ajudam-me a externar de forma mais verossímil aquilo que sinto. E me tiram uma carga que não podería suportar no silêncio. Mas, digo-te que elas são incríveis não apenas por serem minhas melhores amigas. Mas porque do mesmo modo que podem ser pesadas, elas conseguem com maestria ser as mais doces também. Tudo depende, e o problema não está com elas, aliás, são só palavras que expressam aquilo que eu sinto. O problema talvez esteja em nossa mania de desejar que tudo esteja sempre bem e bonito, quando na verdade, sabemos que a vida não é um mar de flores.

PS: As pessoas têm uma visão tão romantizada de festas, como sendo a coisa mais incrível, mas se quer saber, depois do elevador, é o lugar mais coercitivo em que já estive.
PS2: Erros, já sabem..relevem, pois é o sono.

#UmaHeliofóbica

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O que eu posso fazer?

Oi, de novo!

Dois posts por ano dá para suportar, mas talvez dois no mesmo dia seja um excesso, principalmente em se tratando de mim kkk. (vocês superam).
Bem..esta não é uma forma de compensar as bobagens que postei anteriormente, até porque não sei se daqui sairá uma bobagem parte 2. É só que eu estava lendo umas coisas antigas que publiquei e meio a outras tantas besteiras que postei, deparei-me com coisas bem legais que me remeteram a momentos e que agora reverteram-se na tão clamada motivação.

Ei, o que eu posso fazer se descobri que não tenho controle sequer sobre coisas que dizem que tenho?
Ei, tenho uma prova amanhã e não me sinto segura. Não, não. Eu estudei, mas não é uma professora, mas "A professora". E o que posso fazer quanto a isso?
Ei, dizem para eu sorrir mais e falam que estou divertida quando acabo me permitindo estar e brincar com as pessoas. Mas o que eu posso fazer se eu não sou sempre assim? E se isso, assim como a garota legal e divertida, fazem parte de meu eu, o que posso fazer?
Ei, deixe eu lhe contar, é tudo mentira quando falaram a ti que é simples tomar decisões ou quaisquer coisas do tipo.
Ou será que é só comigo, que sempre tive dificuldade em levar as teorias para a prática?
Eu pensei em algo diferente, mas estava comum. O que eu podia fazer? postar o texto que tinha feito, desistir ou mudar? mudei. Mas nem sempre as escolhas são assim tão singelas kkk
Estava lendo uns posts antigos e sentindo vergonha de meu eu do passado (não vergonha alheia. Pois um amigo me disse que é errado falar assim) porque postava bobagens e cometia bastantes erros gramaticais. Mas quem sabe ainda os cometo e "ai ai" fossem esses nossos únicos erros na vida
E o que podemos fazer se errar faz parte do processo e nos ajuda a crescer?!
O que podemos fazer senão aprender, já que não podemos, quem sabe, mudar e escolher a porta de opção 2 ou 3 como nos desenhos?
Estava pensando sobre este período na faculdade e sobre como estava tudo tão alinhado, mas aos poucos foi se desestabilizando e como eu gostaría que ele tivesse sido bem mais produtivo.
Mas o que posso fazer se amanhã é o último dia? O que posso fazer que não me programar e tentar outra vez ser mais eficiente? Esta é uma questão até fácil de se lidar não fossem os reveses da vida.
E o que podemos fazer se não podemos mudar ou voltar ou fazer por não ter feito?
Nada. Pois nem tudo está a nosso alcance, por exemplo o que já passou. Mas temos, sim, não por completo, mas certo espaço para começar again and again sempre que acharmos necessário.
O que podemos fazer? Pensa menos garota, e faz mais_Momento meu outro eu me aconselhando.
Se fez pouco este período só analisa o que precisa melhorar e se planeja..Você consegue! _Quem nunca falou consigo mesmo? O que eu posso fazer se é involuntário?
Fale consigo. É bom kkk
Talvez seja frustrante pensar sobre não termos controle sobre muitas coisas, mas talvez pensar assim seja uma escolha nossa. O que podemos fazer? Faça. O que puder e achar que deve. Ao menos assim seu arrependimento não será por não ter feito, e isto não lhe garante algo bom (o fazer), mas ao menos saberá que fez algo.

PS: Alguns comentários em moderação não foram respondidos, porque o blogger não sinalizou. Mas tratarei de resolver isto agora!