domingo, 6 de agosto de 2017

O que você faz para se divertir?

Não, esse não é um texto sobre a lista de coisas que eu gosto de fazer. Até porque essa é uma pergunta de tantas que, talvez não tenha uma resposta e eu só vim descobrir isso quando sucessivas pessoas me questionaram sobre.
É engraçado como nunca parei para pensar acerca e como algo tão simples e básico sobre si mesmo não ganhou uma resposta até hoje.

E então eu dou uma risada como quem diz: -De novo essa pergunta?

Não me levem a mal, mas as pessoas são previsíveis ou eu quem sou estranha?
Eu rio (de rir) a fim  de ganhar tempo nos milésimos de segundos para pensar em uma resposta melhor ou aproximada ao que é comum de se ouvir, mas novamente caio em minha singularidade: 

-Sabe que não sei._Respondo. Deixando a outra pessoa com mais dúvidas sobre mim e  convicta de que não sou sã, aliás, quem o é não teria dúvidas.

Ta, fazer o que? Eu não sei.
Eu tão moldável e adaptável a tudo aquilo que me cerca
Às condições às quais sou exposta, estou constantemente em mudança.
Eu que passei do hobby "passar horas falando trivialidades via redes sociais" à "não me apetece ou mesmo me entusiasma perder tempo com isso (há raras, muito raras, extremamente raras exceções..ou não mais..talvez acabo de mudar outra vez)
Eu que passo de Beethoven a funk numa mesma semana
Que passava horas e horas e horas assistindo a videos sobre como fazer para meu cabelo crescer, hoje já nem tenho mais tamanha paciência (que bom, diga-se de passagem)
Eu que ontem (modo de falar) gostaria de poder ir a festas e sair mais, não suporto o fato de alterar minha singela, mas adorável rotina (raros são os casos)
Eu que não suportava ler tive de criar o hábito quando entrei na universidade e estou percebendo que venho aprendendo a gostar
Eu que tinha um violão (vendi) e um teclado há alguns anos e larguei-os depois de tentar algumas vezes e não ser cativada, peguei-me neste final de semana passando horas (sim...muitas, muitas e muitas por sinal) aprendendo duas músicas no teclado e estou quase, quase lá e olha o que descobri: Gosto e muito kkkk. 
É engraçado porque eu não gosto de muitas coisas e talvez seja por isso que eu nunca sei a resposta e não somente porque estou constantemente me adaptando e mudando
Eu ainda gosto de ler o dicionário se quer saber, mas infelizmente não tenho tido tempo
Eu ainda gosto de McFlurry, mas não sinto falta nenhuma kkkk é estranho?
Sei lá...As pessoas devem me achar bastante estranha e se eu contar a elas de minha mudança na alimentação, passando a tomar 3L de água por dia, comer muitas verduras e frutas e raras muito raras vezes bobagens (que gosto, mas não me fazem falta) e que me sinto feliz por isso, elas definitivamente me acharão não lúcida, mas talvez eu nem me importe.
Como não me importo se todas as pessoas aqui em casa forem a uma super festa e eu ficar em meu quarto aprendendo uma nova música no teclado, por exemplo.


É interessante como as pessoas fixam coisas "essenciais" para se divertir ou viver ou seja lá o que elas de fato pensam, aliás, nunca me disseram diretamente, são apenas suposições de uma pessoa observadora.

Você tem que viver
Mas o que é viver? E o que é se divertir?
_Eu estudo e...ouço músicas e escrevo_Respondo, tentando compensar o não esclarecimento.

E tudo bem se isso me faz bem e me diverte.Tudo bem se me entusiasmo quando escrevo algo que eu posso me orgulhar ou se tenho dias de ânimo e motivação extremas, fazendo-me passar bastante tempo empolgada nos estudos e me divertir com isso ou se às vezes acabo gastando muitas horas ouvindo músicas e assistindo aos clipes do meu maravilhoso "Shawn Mendes". 
Tudo bem se isso me faz bem.
Mas eu insisto em me questionar sempre...em vão.
Aliás, o que me felicita e agrada hoje pode não o fazer amanhã
As coisas são tão efêmeras e tão mutáveis
O que eu gosto de fazer para me divertir?_ Agora é questão de honra.
Talvez por eu ser tão metódica acabo me privando de conhecer coisas novas e só vivo minha rotina como num ciclo vicioso e automático e por isso não tenho uma resposta.
É triste leitor? Não fique melancólico por mim. Sem dúvida não é isso que me faz triste.
Há coisas que eu gosto, mas acredito mais em momentos do que nelas
Sabe? Isso me agrada agora, porque eu decidi vir escrever, estava com vontade e não fui forçada
Eu amo assistir aos videos de meu maravilhoso "Shawn Mendes", mas definitivamente não é isso que quero fazer para me divertir agora ou tampouco estudar ou sei lá kkkk
*Na verdade não estou afim de me divertir (kkk) quero mesmo dormir (droga de sinceridade. Acostumem-se)*.
Não é uma fórmula. Ao menos não para mim: Eu gosto de assar bolos de menta enquanto ouço Malu magalhães e canto desafinadamente. Ou, gosto de ir a parques e cinema, festas e bares com meus amigos kkkk
Talvez nada do que escrevi faça algum sentido. Se for o caso relevem e pensem que é o sono.
Talvez não tenha encontrado uma resposta porque não há ou porque sou louca ou diferente, mas tudo bem..pois o importante é estar bem e se uma pessoa consegue estar bem mesmo sem saber o que gosta de fazer para se divertir...Meu caro leitor, não há porque insistir em tentar encontrar respostas, não é mesmo?! Elas seriam mais para simbolizar e satisfazer a necessidade que temos de tê-las, e nada mudaria por isso.

#UmaHeliofóbica



sábado, 15 de julho de 2017

O que as palavras não dizem...

Ontem estava conversando com um amigo, e num trecho da conversa lhe disse algo óbvio, mas que repito sempre comigo por ser tão negligenciado por muitos.
"O que somos hoje é fruto de tudo aquilo que fomos submetidos pela vida".
E como já mencionei em outros posts, o que sou é resultado de todas as minhas experiências e o que tirei destas para minha vida.
Eu, além de ser humano comunicador, sou alguém que trabalhará com comunicação e, por isso tenho um pouco mais de habilidade com as palavras que bastantes pessoas não ligadas à área. Portanto, sei o poder  de um bom discurso, palavras mansas e amenas, ou as intenções de alguém com o que me diz. 
Talvez seja por isso que não dou muito valor às palavras. Porque as pessoas dizem algo, mas comunicam contrastes, paradoxos.
Palavras por palavras nada mais são que tal.  Posso, leitor, descaradamente falar que alguém é de meu apresso sem o ser (o que não combina comigo) ou driblar e reverter situações não favoráveis a mim apenas com as palavras certas. E é por isso que eu, desconfiada por natureza, não sou ingênua quanto a tal.
O motivo de tal texto não é nada em específico, apenas uma forma de compensar a última postagem que deixou muito a desejar.


Há vezes em que o silêncio fala mais que as palavras_ Foi algo assim que uma professora disse ontem em classe.
As pessoas dão valor imensurável às palavras, estão tão acostumadas à lê-las, usá-las para se expressar, tentar interpretar e perceber o que está ou não subentendido, que se esquecem que não apenas de palavras vive a comunicação.
É como a falácia daqueles que dizem que as fotografias retratam exatamente a realidade, sendo que vivemos num mundo em contínua modernização.
As pessoas esquecem que tudo em nós comunica e que a melhor interpretação ou o melhor modo de compreender mais ampla e verossimilhantemente algo é por meio daquilo que expressamos no automático, isto é, sem pensar e, não raras vezes sem sequer nos darmos conta.
E isto vai muito além de quando eu, por exemplo, sou rude sem perceber ou falo verdades que não precisariam se tornar públicas.
Refiro-me ao que está para além das palavras. Atenho-me ao não dito, não necessariamente nas entrelinhas.
Falo do que nosso corpo expressa e do próprio silêncio
Eu me refiro àquilo que às vezes está em nosso inconsciente e liberamos sem sabermos, sem percebermos.
É tão automático que somente quem está além de nós nota e, às vezes comenta ou, em se tratando de algo desagradável, opta por se afastar.


Esta semana foi meu aniversário e me senti meio indiferente a isso e ingrata ao chegar em casa e me deparar com minha família cantando parabéns e me presenteando.
Não tinha palavras para agradecer ou sequer esboçava muita alegria.
Brinquei dizendo que eu estava depressivamente feliz. É que as coisas, que já não têm sentido algum, perdem ainda mais quando nos damos conta da falta de nexo da vida.
Eu dizía obrigada pelos parabéns e pelos presentes, mas minha face, sem dúvida falava: "Por favor parem com isso. Não me sinto feliz por já ter 20". Mas eu não precisei expelir uma palavra sequer.
Como no jornalismo, no qual a experiência facilita nosso fazer, é assim no convívio.

Lembrei agora de quando eu era criança. Acho que eu havia quebrado alguma coisa e quando minha mãe chegou do trabalho transmiti a necessidade de conversar com ela sem dizer nada. E então ela me surpreendeu: "O que você quer me contar?" 

[...] Eu sou uma pessoa geralmente taciturna e ainda assim extremamente expressiva e sincera.
Se eu não gostar de você não espere um abraço falso
Se eu for apenas uma colega, não cogite um tratamento que dou a meus amigos
Se eu não gostar, fecharei minha cara (como diz minha genitora)
Se eu amar, você saberá
Se eu estiver feliz não precisarei necessariamente sorrir, pois minha expressão mudará independente disso
Se algo me agrada, meu olhar dirá
Se eu quero que fique, eu mostro. Não precisarei falar, a menos que pergunte
Se abro exceção a ti meio a uma agenda lotada (estudos não passeios ok?), considere-se importante
Se eu não quero, não me dou ao trabalho de procurar, quem dirá de ir embora porque eu sequer cheguei
Se sua presença é indevida não pedirei para que fique mais

Eu falo sem dizer
Converso sem palavras
E é verdade exatamente porque isso sou eu.
Pois o discurso, falado ou escrito, é passível de planejamento, alteração à medida do que se deseja atingir com ele
O "não dito" não. É espontâneo e revela ao menos um pouco de sua essência e do que há nela. Bom ou ruim, é verdadeiro.
Taí, essência.
Até que me provem o contrário ela é a única coisa imutável em nós.
Não há nada que eu valorize mais que a essência, pois ela é de verdade.
E quando a essência é boa, isto é, há uma boa índole, um bom coração...Estas pessoas, mais que as outras, conseguem com maestria mostrar sem dizer, sem mentir ou omitir...ou tentar te ganhar com um discurso fajuto qualquer.
Pois são essencialmente boas, ainda que passíveis de erros, demonstram algo da forma mais credível e verossímil, sem ter ciência disso, tudo aquilo que não é dito pelas palavras.



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Sobre inspiração...

Certa vez, um colega com gostos em comum disse que a inspiração é um pretexto de pessoas preguiçosas.
Sim, estávamos conversando sobre escrever e sobre o "Não escrevi porque não estava inspirada" ser, segundo ele, subterfúgio.
Não discordo completamente, mas ao menos uns 99°/○.
A inspiração ela é o insight, o motor, a luz que nos vêm em momentos únicos e específicos,  espontaneamente.
A inspiração está muito além do: Estou com vontade de escrever, por exemplo.
Inspiração é tristeza, alegria, são pessoas e momentos, sensações que só conseguimos expressar porque estamos inspirados.
Inspiração são palavras, sorrisos, olhares. ..Está muito além da vontade de fazer algo.
Ela mexe conosco e nos gera algo que não sabemos bem explicar.
Inspiração constrói, transforma a nós e nosso estado de espírito. Ela é capaz de nos fazer emergir e ser outra pessoa se for o caso.
Taí leitor,
Inspiração é energia.

Faz sentido para você ? Talvez o sono esteja me deixando um pouco desnexa.

Inspiração é tudo. Tudo aquilo capaz de mexer conosco,  e um tudo que poucos podem nos causar.
Coisas inspiram, momentos, pessoas e tantas o fazem sem sequer ter noção de tal poder.
Sem ter sequer noção da importância de sua singela, porém jamais simplória, importância em nossas vidas e, no meu caso, também em minhas escritas.

Ps: escrevendo pq a inspiração me veio. O que não faz dessa necessariamente uma boa escrita.

#UmaHeliofóbica

terça-feira, 13 de junho de 2017

Somos todos como ele

As vestes maltrapilhas, cabelos desgrenhados e pés descalços sugerem que a figura em questão é indigente.
O mau odor, os olhares tortos de todos ao seu redor confirmam, é sim um ser abjeto.
Ele se senta no degrau do ônibus que estavamos e começa a conversar. 
Não, não com as pessoas que o cercam, pois que estas estão ocupadas a comentarem entre si covardemente, haja visto o tom levemente atenuado para que este não pudesse ouvi-las e saber que ironicamente é o centro das atenções naquele coletivo.
Conversava sozinho, diríam. Penso que talvez estivesse a dialogar, um diálogo intenso inclusive, com uma criação de sua mente.
Devido às drogas, esquizofrenia ou o resultado da situação a qual está exposto todos os dias.
O ser humano é terrível e foi ele o responsável pelo estado deste jovem rapaz de sabe-se lá quantos anos de idade.
Este rapaz que podería ser eu ou você. Este rapaz que sim, sou eu e é, meu caro leitor, você. Contudo, talvez uma extensão de nós um tanto mais intensificada.
Nós que somos todos os dias olhados de modo desagradável por um e outro
Nós que ouvimos muitas vezes e nos fazemos de surdo (porque é melhor) palavras não tão legais, direta ou indiretamente
Nós que conversamos sozinhos o tempo todo quando assim estamos ou em alguns casos, em outras presenças e que, ainda assim não somos taxados de loucos
Nós, que estamos sozinhos no mundo mesmo que acompanhados
Nós que constantemente somos submetidos a tantas dificuldades que a vida nos...proporciona, e que buscamos nosso modo de lidar com elas...álcool, festas, e por que não drogas? sim, talvez não as mesmas as quais ele consome, afinal, não se esqueça que ele é a versão mais dramatizada de tudo aquilo que somos e vivemos, mas, ainda assim, drogas são drogas.
Nós que nos achamos mais, e que julgamos com olhares antes mesmo das palavras e que ao olharmos, pensamos involuntariamente e criticamos fervorosamente quem sequer damos a oportunidade de conhecer, somos nós leitor. Todos nós. Mas, sabe que diante disto tudo percebi dessemelhanças irrefletidas ao agirmos "impensadamente"
Ele não nos julga, não nos critica, não se acha superior, ele sequer nos olha feio porque ele mal olha para nós kkk, não nos acua e inferioriza-nos.
E você se achando mais. Ele, na dele, por piores que sejam seus pesos, consegue ser superior a nós mesmo com a vida que leva
Devido às drogas? Ao estado em que chegou?

Whatever. 

Isto realmente não importa. Assim como nós, que passamos todos os dias por alguns dele, espalhados por cidades que pregam a modernização, não nos importamos com suas presenças tidas como desagradáveis.
Talvez devessemos refletir ao menos um pouco que exemplos como este são mais que o retrato de um país ainda cheio de falhas e carências.
Talvez devemos perceber que esta, a carência, está imersa em cada um de nós.
Carência de empatia e de consciência, de discernimento e compaixão. 
Mas veja leitor, como a vida é engraçada. Por ironia, tudo acaba voltando a nós mesmos, dado que agimos de modo que não gostariamos que agissem conosco porque no fim das contas tratamos a nós de forma repudiável, pois somos cada um de nós , quer queiramos ou não, ele.

#UmaHeliofóbica

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Socialize!

Socialize!
É o que eu escuto desde meus...alguns anos de vida. E é engraçado como as pessoas procedem insistindo em uma coisa que não mudou em 19 anos. Talvez porque lidar com esta "estranheza" seja para elas bem mais complicado do que para mim ser tida a vida toda como estranha. Aliás,é possível que sim, pois já há algum tempo parei de me questionar porque sou como sou e aprendi não a lidar, mas a gostar de mim desta forma.
Há coisas que não precisam nem devem ser mudadas e que se o fizer perde a essência da pessoa e uma das piores coisas que há é perder sua essência. Se não lhe faz mal, se não faz o mal a ninguém porque tanto incômodo por parte de terceiros?
Socialize kkkk 
Lembrei agora quando eu ía para o apartamento de minha tia, eu tinha uns 10 anos e ela falava: Vá para a piscina e faça amizades.
E como eu odiava essa sugestão meio que como um conselho bem imperativo mais parecido como uma ordem.
Bicho do mato, estranha, tabaréu kkkk, eram alguns sinônimos para Adriann e talvez ainda sejam pois de lá para cá as coisas não mudaram tanto, ao contrário, acho que estou mais convencida de que é isso que sou.
E eu preciso dizer que ía a piscina e não falava com ninguém a menos que falassem comigo???
Acho que não.
Fale alguma coisa ou ao menos sorria_Era um suplício de uma mãe que não quería passar vergonha por ter uma filha que aparentava má educação.
-Acho que você devería interagir mais
-Nós falamos e você não diz nada, parece que não se interessa
-Acho que a única coisa que você precisa mudar é socializar mais
-Você não socializa porque não quer


Não culpo os donos de nenhuma destas frases. Sabe, talvez estas pessoas só queiram o meu bem e pensem que sou triste por assim ser, mas depois de tanta reflexão e análises feitas por mim de mim mesma e autoavaliação da forma como levo a vida e a forma como tento algumas vezes para agradar a terceiros, percebo que sou infeliz quando do contrário, não sou quem realmente sou. Perde-se a espontaneidade.
Tanto é que uma das minhas frases mais utilizadas é: "Odeio fazer a linha simpática". Sim, porque é tão anatural, é tão forçado e isso não sou eu.
Quando privada, de certo modo, de falar o que quero prefiro o silêncio
Quando não gosto de algo ou de alguém opto por me calar
Quando uma opinião me desagrada eu geralmente fico na minha
Porque o silêncio muitas vezes não é a pior coisa e sim, é uma forma não sei se de socializar, mas sem dúvida de se comunicar. Pois eu sou tão quem sou que quem convive comigo sabe logo se algo está errado. E se esse meu jeito não prejudica ninguém, do contrário, muitas vezes facilita a comunicação, porque reclamam tanto?
Aprendi nestes anos, após algumas experiências, que não se deve mudar a menos que este objeto de mudança esteja prejudicando a si mesmo.
Sinto-me mal quando sou forçada a fazer coisas e ser quem não sou e não vale a pena mudar para agradar aos outros e se sentir mal a cada dia.
Eu socializo a meu modo, como acho que devo, com quem devo e isso me tem bastado. Imagino que algum dia isso deixará de ser um problema. Mas para isso as pessoas deverão olhar mais suas questões pessoais dignas de mudanças e aceitar o jeito daqueles que estão em suas vidas ou não.

#UmaHeliofóbica


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Se aceitar do jeito que você é?

Na noite passada ocupei alguns de meus minutos a assistir a mais um vídeo no youtube de um garoto que acompanho há algum tempo e que gosto o suficiente para ativar as notificações e não ter abandonado no meio do caminho por simplesmente ter me exaurido de seus conteúdos ou dele próprio.
Seguinte, a temática do vídeo era basicamente "reagir", algo que muitos youtubers fazem. Mas de que isso importa se é bobagem? Estava há um dia das tão aguardadas férias e queria fazer qualquer coisa que não demandasse esforço mental ou algo do gênero. 
Enfim, ele reagiu a um vídeo de uma cantora que eu gostava bastante e especificamente à música que era minha predileta. E ao final disse uma coisa que bastantes pessoas aconselham: "Se aceite do jeito que você é".

Acontece que a música em questão trata exatamente da temática estética e sobre como somos bombardeados pela mídia para mudarmos quem somos e sobre como somos induzidos a não nos sentirmos satisfeitos conosco. Então... O comentário dele ficou martelando em minha cabeça por alguns minutos inclusive quando me deitei: "Puxa, que legal ele falando isso"_Foi de ímpeto minha reação ao ouvir. Porém, depois comecei a me questionar até que ponto essa afirmativa era verdadeira. Até que ponto ela é realmente dita por nós e não no automático, devido a repetitividade.
Eu citaria ele como exemplo perfeito para isso porque ao meu ver é um dos garotos mais lindos que já vi, mas, seria um resultado muito induzido..Então, esquece isso..Melhor, esquece esse exemplo..O foco é a problemática que me levou este comentário e esta tentativa de apenas assistir a um vídeo sem pretensões de trabalhar o cérebro kkk.

O que eu quero dizer é que é muito fácil dizer às pessoas para que elas se aceitem como são quando você está incluso no que a sociedade e a mídia têm como "padrão de beleza". É fácil, por exemplo, uma Kristina Pimenova (ok que ela é uma criança ainda) dizer que não faz nada para se cuidar e que não liga para isso ou que se aceita como ela é. "Meu Deus! Ela não tem nem 15 anos ainda e é considerada a menina mais linda do mundo". Daí ela chegar algum dia em alguém que não se adequa aos padrões e dizer: "Se aceite como você é". 
Poxa, como que uma pessoa que é escanteada e muitas vezes simplesmente ignorada nas mais diversas formas por não pertencer à classe dos "olimpianos" quanto à aparência pode se aceitar? Até que ponto isso é justo? Não acontece uma certa hipocrisia?

Você sabe que a Pimenova tem zilhões de oportunidades mais, zilhões de olhares mais e ganha zilhões de vezes mais que minha família toda junta se brincar kkkk.
Daí ela decidir certa vez dizer: Se aceite como você é??
Ela não sabe o que é não ser aceito porque ela não passa nem provavelmente passará por isso a menos que estrague sua beleza ou o padrão vire ao averso. E essa questão de "se aceite do jeito que você é", não sei a vocês, mas me gera uma ideia tão de conformismo. É tipo: Você não é o Charles Puth ou Miles Heizer ou Jade Picon ou Flávia Charallo, mas você também é bela e deve se aceitar como você é.

 Eu sei que este é um campo minado e que certamente muitos discordarão, mas não estou aqui para pedir opiniões alheias ou para que outrem concorde com o que penso. Não estou, tampouco pretendendo pregar que as pessoas insatisfeitas e "inaceitáveis " devem correr aos bisturis, jamais. Estou dizendo que a questão vai muito além de você dizer: "Se aceite do jeito que você é", porque eu nem sempre vou querer ou conseguir me aceitar e eu não vejo nisso um problema exatamente.
Há algum tempo fiz uma postagem: Você é linda e tive de reler antes para ver se havia contradições com meu pensamento. O que também não é errado, pois mudar faz parte do ciclo de vida e mudanças de opiniões estão inclusas nestas. Eu alteraría uma frase do último trecho, em que eu digo: "ame-se do jeito que você é". Quero dizer, não totalmente, mas veja: Ame-se do jeito que você é se e somente se você se gostar do jeito que você é. Ame-se do jeito que você é se a surgente antipatia com algo em si  não for resultado do que a mídia lhe impõe. Mas, se há algo que você não gosta não vejo nada de anormal nisto. Por exemplo, desde criança eu me incomodo bastante com minha gengiva. Veja bem o que lhe digo leitor: "Ninguém nunca chegou para mim e me zoou por isso ou sequer comentou que eu me lembre, eu nunca vi na televisão ou quaisquer coisas do tipo". Eu simplesmente me sentia constrangida com isto desde criança, isso era de mim. Não fazia sentido e eu não queria me aceitar. Fiz uma gengivoplastia que melhorou bastante minha autoestima e foi uma das melhores coisas que eu já realizei.

Se há algo que lhe entristece, prejudica, deixa para baixo e isto é algo seu e não que puseram em sua cabeça. Se não firo a ninguém, se não magoo e que se eu resolver elevará meu ânimo, por que não mudar???
Anda, diz: Por que não mudar?
O problema se insere quando as mudanças são efetuadas devido a outrem ou quando lhe impõem ou quando se torna uma neura que te leva a querer mais e mais e mais, como é o caso de muitas pessoas famosas que se dispuseram a Ns tratamentos estéticos que só corromperam a imagem que muitos diríam para aceitar. No mais, não vejo problema em não aceitar algo.
Na vida, quando algo não anda bem ou não está certo nós não temos que mudar as estratégias ou a forma de enxergar ou agir ou quaisquer outras coisas para que possamos obter êxito em nossas ações ou mais felicidade e menos aborrecimentos?? É exatamente isso.
Bom é estar bem e se algo não lhe faz bem, logo, isso que não é bom e você não deve aceitar.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A importância dos nãos e de saber ouvi-los

Talvez eu já tenha falado sobre isto aqui, mas, como é o tema que me inspirou hoje, então será sobre ele mesmo que falarei.
Por estas semanas estava pensando recorrentemente sobre mim. taa..isso eu sempre faço . Então serei mais específica, estava pensando sobre minhas atitudes e ações e como eu própria tenho me reprovado, mesmo só tendo me dito isto exatamente agora por estas palavras. 
Foi então que questionei minha mãe, já sabendo minha resposta para tal, porém precisando de uma confirmação de uma pessoa que tem propriedade para isto.
 -Mãe, sou uma pessoa mimada?
-Mimada?...Não_Ela falou.
E é engraçado como nós, quero dizer, eu, preciso sempre de uma confirmação para aquilo que já sei. Quería que ela dissesse que sim, porque é o que tenho pensado sobre mim e ela disse não. 
Daí penso agora, que isto por si só já é um ato mimado porque eu quero as coisas do meu jeito. Eu queria um sim e tinha de ser um sim. Contudo ouvi um não, e fiz aquele sorriso amarelo de quem nitidamente não se felicitou com a resposta. O que é bizarro kkkk.
E sobre levar nãos na vida, digo que sempre foi uma coisa tão complexa, íngreme e delicada, pois minha mãe sempre me falou que a vida era dura, mas não que era tão indiferente e apática e alheia e todos os sinônimos possíveis.
É mais difícil ainda porque eu não fui criada com nãos e isso faz de mim uma pessoa mais frágil do que minha própria aparência revela. Porque tive e tenho, desde a infância, pessoas que me amam tanto e que fazem tudo por mim e tudo que quero e tudo que peço, o possível e impossível e, então pegunto: -Por que lá fora não é exatamente assim?
Ahh..mas já chorei tanto por nãos dados pelas vidas..sim, "vidas". Vidas de diversas formas e jeitos e cabelos e sorrisos e seriedades e tudo o mais...Já me pus inconformada, incrédula, confusa e tudo quanto é possível eu estar.
Já chorei, já ri, ri de minha própria desgraça..Já dancei, já chorei e ri enquanto dançava ou cantava uma música alegre, mas também já passei semanas triste, sem achar razão para viver, porque havia morrido naquele momento devido ao não dado a mim.
Sabe que as coisas não mudaram taaantoo.. Quero dizer, hoje eu riu e danço, relembrando o que quer que seja que tenha me levado ao não..Não digo que choro, porém também não encaro da melhor forma. Aliás, nãos serão sempre nãos independente das circunstâncias ou de quem venha.
E por que escrevi este texto, talvez mixuruco?
Além do fato de estar há mais de um mês sem publicar, levei hoje um não.
Um não sem sequer ser dito, mas que foi facilmente compreendido.
Como quando a mãe de uma criança apenas encara seriamente a mesma quando ela vai fazer algo indevido. Ou como quando um professor em classe para a aula e olha as pessoas que estão conversando. Ou quando você não recebe, sei lá, a ligação que sería um: Você foi aprovado na entrevista de emprego...São nãos e o que resta a nós senão aprender a lidar com eles?
Hoje foi um, amanhã será outro e não dá para se pôr eternamente a procurar respostas, tampouco se culpar ou achar que tem algo errado em ti..Não, não o faça, pois não é válido e não adianta correr porque você sempre vai levar nãos e a forma mais sábia de lidar com isso, talvez seja esperar o não e acolhê-lo como uma mãe o faz com seu filho mesmo depois de ele ter se envolvido em encrencas..Porque filhos são filhos e nãos são nãos..Nada muda. Filhos são essencialmente bons (ao menos em teoria) e devemos encarar os nãos da mesma forma, tentando tirar o melhor deles. 
Eu sei que lá fora as pessoas não vão me dar a boneca da Barbie de cento e perdi as contas como quando meu avô me dava quando eu era criança, elas não vão hoje mesmo sair para comprar uma blusa porque preciso usar amanhã para ir à faculdade, elas não vão se dispor a absurdos porque quero muito, então resta a mim lidar com isso. Resta a mim apenas me conformar, apesar de eu odiar esta palavra. Desta forma, resta então, como sempre digo, tentar perceber por um outro ângulo e vir que até nas piores coisas e nos piores nãos, no fundo não passam de uma palavra. Uma palavra que não pode fazer cessar esperanças ou deixar-nos amuados eternamente, do contrário, dela deve ser tirada  tudo de bom quão for possível e ser percebido que muitas vezes, em tantas situações um não é bem melhor que um sim.

#UmaHeliofóbica